À descoberta da riqueza invisível do Estuário do Arade: as diatomáceas e a sua distribuição ecológica

Autores: Ana Gomes, Tomazs Boski, Delminda Moura e Simon Connor (Centro de Investigação Marinha e Ambiental, Universidade do Algarve), Katie Szkornik (School of Physical and Geographical Sciences, Keele University), Andrzej Witkowski (Institute of Marine Sciences, University of Szczecin), Lazaro Laut (Departamento de Ciências da Natureza, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) e Frederico Sobrinho (Departamento de Geologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro)

Resumo:

As diatomáceas são algas microscópicas que vivem na coluna de água e associadas aos sedimentos dos rios, bem como dos lagos e oceanos. Por serem capazes de viver numa diversidade tão grande de ambientes elas são excelentes indicadores ambientais. Contudo, as diatomáceas têm sido pouco estudadas nos ambientes estuarinos. Sendo o Rio Arade o segundo mais importante da costa sul algarvia e sendo a sua bacia muito importante em termos ecológicos (parte desta bacia é uma área classificada pela Rede Natura 2000), o objectivo deste estudo foi conhecer a biodiversidade e a distribuição das diatomáceas ao longo do estuário do Rio Arade. Para tal, recolheram-se amostras de sedimento e mediu-se a salinidade da água intersticial do sedimento em vários pontos das zonas intermareáis de cinco estações de amostragem, distribuídas entre o porto do Parchal e Silves, abraçando quase todo o gradiente de salinidade do estuário. As amostras de sedimento foram subdivididas para o estudo das diatomáceas e para as análises texturais. Adicionalmente, calculou-se o tempo de inundação mareal para cada ponto de amostragem. Este estudo revelou que existe uma grande diversidade de espécies de diatomáceas no estuário do rio Arade (284 espécies) e algumas delas não foram descritas até ao momento. Além disso, verificou-se que as espécies de diatomáceas associam-se em três grupos que se distribuem por três ambientes distintos: planícies arenosas, planícies lodosas e sapais. Tal deve-se à sua sensibilidade a variações da textura dos sedimentos, da salinidade e do tempo de inundação mareal. A sua concentração aumenta das planícies arenosas para as planícies lodosas e a diversidade atinge os valores mais baixos nas planície arenosas e os mais elevados nos sapais. Estes resultados realçam mais uma vez o valor das diatomáceas como ferramenta para efectuar interpretações de alterações ecológicas e paleoecológicas em estuários.

Ana Gomes et al.

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