Evolução urbana da zona ribeirinha da cidade de Portimão: A intervenção no Edifício Mabor

Autor: Paulo Botelho e Sónia Ferreira (AES Arqueologia, Lda.)

Resumo:

O projeto de alteração do Edifício Mabor existente na zona ribeirinha de Portimão foi objecto de condicionantes arqueológicas, em área de proteção da muralha tardo-medieval, classificada como Imóvel de Interesse Público.

As escavações arqueológicas permitiram identificar entre outros vestígios, parte do embasamento da muralha da cidade, numa extensão de cerca de 50 metros, sob a fachada principal do Edifício Mabor, disposta paralelamente à Rua Serpa Pinto.

Aquela estrutura defensiva, fundada na segunda metade do século XV, foi construída em aparelho irregular com pedra e argamassa de cal e areia, assentando directamente sobre o geológico, cortando estruturas e depósitos romanos. Apresenta-se muito afectado por acções contemporâneas.

Já a ocupação mais antiga daquela zona corresponde a área industrial de preparado de peixe do período romano. Esta desenvolveu-se em cinco fases, sendo a primeira dos séculos I a III d.C. e corresponde à edificação de oficina, provavelmente de planta em “U”, tendo sido identificadas 13 cetárias dispostas em dupla fileira.

Posteriormente registou-se fases de expansão e/ou criação de novas oficinas, contabilizando-se outras 8 cetárias, associadas a áreas de armazenamento e zonas de pátio, as quais seriam parcialmente cobertas, sendo que o complexo foi abandonado entre os séculos IV e V d. C.